Enfim.
O negócio é que caiu uma chuva braba esta madrugada.
E a garagem do prédio amanheceu inundada.
Ou seja: sem elevador e ambos sem carro.
Só quem é daqui sabe o que é ficar sem rodas numa segunda-feira de manhã.
A sorte foi que filhota tinha carona pra escola, porque senão a coisa ia ficar pior ainda.
(Os porteiros juram que avisaram todo mundo às 2 da manhã.
Rá: eu fui dormir às 4, e a chuvona propriamente dita só começou pelas 3 e meia.
E, mesmo sendo semi-surda, posso jurar que o interfone não tocou.)
*
Corta para as 11 e meia da manhã.
Recapitulando: eu em casa pensando em como ir buscar a filhota na escola, se pedia à avó ou arriscava chamar um radiotáxi (que, óbvio, quando a gente mais precisa aí é que eles atrasam mesmo), pensando no exercício forçado de subir/descer 6 andares de escadas, quando escuto um barulho surdo vindo da outra ponta do apartamento.
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Um barulho surdo, acompanhando do som de um milhão de caquinhos de vidro.
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Pânico nas ruas de Londres.
*
No corredor vejo os primeiros caquinhos enegrecidos.
Abro a porta da cozinha, e é o caos:
A panela de pressão explodiu.
Fiapos de lagarto cozido em cada porta, canto, cantinho, fresta, prateleira.
Um buraco gigantesco no teto.
O depurador de ar caído de lado sobre o (que restou do fogão).
*
Balanço do dia: entre mortos (o fogão, o depurador e talvez o carro do marido), e feridos (o meu carro, o elevador, meu fôlego e a conta bancária) salvaram-se todos.
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E a culpa é toda minha: quem mandou dividir aquele hamburguer com a filhota em plena sexta-feira santa...
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Pois então. Até esbocei um negócio aqui sobre o feriado, mas o cansaço venceu.
Aliás, eu ia falar mesmo que, apesar dos 4 dias de 'folga', estava mais cansada no final dele que no começo.
Isso que nem cheguei a fazer um terço do que tinha me proposto, como
terminar (ou pelo menos adiantar bem) o imposto de renda ou forrar de
contact uma estante.
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Mas como já dizia o sábio, sempre pode piorar.
*
Cheguei a subir umas fotinhas no flickr, onde registrei que a sexta-feira santa começou inusitada, com uma neblina que há tempos não via por estas bandas.

Assim como não se vê mais quase as madrugadas frias, sereno (dia
desses, conversando com a filhota e uma amiga dela, descobri que elas
não faziam idéia do que era 'orvalho' - ô tristeza!), janeiros chuvosos
e frescos - sem contar o trânsito civilizado e a sensação de segurança.

É, Brasília (a cidade, não essa coisa que a palavra significa para o resto do país) mudou.
Muito.
E pra pior.
Mas pelo menos, os finais da tarde (ainda) compensam:

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Ah, e tirando aquelas fotinhas de madrugada, descobri uma função que nunca tinha usado na máquina, a 'starry night', e saiu isto:

A foto não saiu assim grande coisa, mas pretenção no canto esquerdo.
Agora olha na primeira foto lá de cima (as duas foram tiradas do mesmo ângulo).
Era o que dava pra ver a olho nu.
Tá vendo a silhueta da árvore? Só um contorno?
Pois espia isto:

Na segunda sairam até as flores.
Tô impressionada até agora...
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